A preocupação com o sucesso (ou o fracasso) está na cabeça de todos os futuros empreendedores. A principal dúvida é: será que eu vou ter sucesso com esse negócio?

Muitos estudos já foram empreendidos para buscar as causas de sucesso e de fracasso dos novos empreendimentos. O próprio SEBRAE já estudou esse assunto e chegou a conclusões relevantes, tais como: a falta de planejamento pode levar ao fracasso; a falta de competência empreendedora do dono pode ser fatal e as condições de mercado, também, interferem na sustentabilidade do negócio.

Tudo isso, sem dúvida, são questões a serem observadas e tratadas preventivamente.

Mas, será que é só isso? Essa é a pergunta que tem conduzido minhas reflexões sobre esse assunto nos últimos tempos.

Tenho notado que, por mais que o empreendedor planeje o seu futuro negócio, pense em cada detalhe, pesquise todos os fatores que podem interferir no negócio, coloque tudo no papel, mesmo assim, na hora que a empresa sai do papel e vai para a “rua”, muitas coisas acabam acontecendo de forma diferente.

É nesse ponto que são necessárias outras características essenciais para os empreendedores. Cito algumas: capacidade de identificar precisamente as causas dos problemas e das dificuldades presentes no ambiente; criatividade na resolução de problemas; rapidez na tomada de decisão; autocontrole das emoções; desapego; e flexibilidade. Tudo isso poderia ser sintetizado numa só característica: RESILIÊNCIA.

Na Física, esse conceito trata da capacidade de uma substância retornar à sua forma original quando a pressão é removida: flexibilidade. Na Psicologia, o termo é utilizado para designar a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir às pressões de situações adversas.

Diferentemente dos materiais, as pessoas, ao enfrentarem uma pressão, um desafio ou uma dificuldade, dificilmente voltarão ao estado anterior, elas saem mais fortalecidas, mais preparadas para serem empreendedores de sucesso.

Um exemplo que pode nos ajudar a compreender melhor a resiliência do empreendedor na prática, é o caso de um amigo meu, que abriu um restaurante do tipo buffet por quilo.

Ele iniciou o empreendimento há menos de dois meses, com a orientação do SEBRAE. O planejamento incluía o serviço de buffet por quilo de segunda a sexta, e, aos sábados, o cardápio seria a tradicional feijoada, mas servida à la carte.

Passado um mês, ele notou que o modelo de serviço dos sábados não estava atraindo clientes, e sim afastando. Rapidamente, ele mudou o tipo de serviço, passando a servir a mesma feijoada em buffet, como fazia durante a semana.

Perguntei a ele por que fez tal mudança e tão rápido. Ele me disse que percebeu que os clientes que começavam a frequentar o restaurante eram famílias com filhos e, muitas vezes, com os costumeiros agregados familiares: pais, sobros, irmãos, sobrinhos, amigos dos filhos.

Essa família estendida tornava o almoço do sábado mais dispendioso se cada um tivesse que escolher o seu prato no menu à la carte. No buffet, ao contrário, cada um poderia escolher o que e na quantidade que quisesse, por um custo total mais atraente e viável para o “paitrocinador”.

Isso me faz constatar, mais uma vez, que a estratégia idealizada no planejamento, por melhor que ela seja, nem sempre dará certo. E os vitoriosos são os que rapidamente percebem o “furo” e conseguem mudar e rápido.

Por Rosângela Angonese

Fonte: https://goo.gl/ACY77w