Sócios, investidores, clientes, parceiros e mentores: todos eles chegam até você por meio de conexões. Por isso, fazer networking é mais do que colecionar contatos, é criar e nutrir uma rede de pessoas com quem você pode contar.

Você chega às 7h e sai às 20h. Vai da empresa para casa, de casa para a empresa. Parece distante se imaginar participando de um happy hour com outros empreendedores, tirando um dia para um evento do seu setor ou marcando um café no meio da tarde com alguém. Mas são hábitos como esses que 0 conectam a pessoas e ideias que ampliam sua visão de mundo — e o ajudam a enxergar seu próprio negócio por uma nova perspectiva.

O empreendedor que enxerga o valor estratégico do networking tem mais facilidade em conquistar novos clientes, se conectar a investidores, validar sua ideia com especialistas do mercado e, sobretudo, ser ajudado nos desafios do seu negócio.

Para muitos empreendedores, networking é consequência, não prioridade. O grande desafio está em valorizar a construção contínua dessa rede e tratá-la de forma estratégica: entender de quem você quer se aproximar, com qual objetivo e o que pode oferecer em troca. Para isso, antes de tudo, comece entendendo o que não fazer.

O melhor jeito de (não) fazer networking

  • Enxergar o LinkedIn como o Facebook profissional

O LinkedIn pode ser visto como uma agenda de telefone moderna, colecionando contatos e centralizando o relacionamento. Muita gente vai a um evento, pega o cartão, adiciona no LinkedIn e acredita que assim está montando sua rede. Mas, na prática, a rede só importa se aquela pessoa se lembrar de algo positivo que você já fez.

Dizer que você tem uma rede baseado no número de conexões do linkedin é o mesmo que dizer que tem centenas de amigos só pelo número de pessoas adicionadas no facebook.

Está nas suas mãos filtrar os convites que recebe todos os dias para ter conexões com mais significado. Assim, quando alguém pedir para ser conectado com uma pessoa que está no seu LinkedIn, você saberá avaliar se essa conexão seria positiva para os dois lados. Quando você mal conhece as pessoas que estão ali, não consegue extrair o benefício que a rede oferece.

  • Procurar as pessoas somente quando você precisa de algo

Contribuir ativamente com a rede dá crédito e legitimidade a você. Não apenas porque essa é a forma mais gostosa de criar laços e nutrir relacionamentos, mas também porque é a forma mais eficiente. As pessoas mais utilitaristas têm uma história curta no mercado.

Nesse sentido, uma conexão por e-mail que você faz, uma indicação de vaga, um artigo que você leu e lembrou de alguém ou um café marcado para ajudar outro empreendedor em seus desafios são pequenas ações que estão ao seu alcance, exigem pouco investimento de tempo e podem criar um sentimento de gratidão duradouro em quem é ajudado. Mesmo que você não receba nada em troca imediatamente.

  • Deixar de responder as pessoas por e-mail

Deixar as pessoas sem resposta atrapalha o networking. Mesmo que não seja imediatamente interessante para você ou pareça um incômodo, negativas educadas e respostas gentis constroem uma imagem positiva, que vai se espalhando por onde estiver. A pior coisa é ouvir: “Mandei um e-mail para ele, e nunca me respondeu.”

Se você recebe com frequência e-mails muito semelhantes de fornecedores e parceiros, por exemplo, crie templates de respostas para que não fiquem parados. Em muitos casos, existem aplicativos que identificam quantas vezes a pessoa abriu e leu o mesmo e-mail, mesmo sem respondê-lo. Seria como visualizar e não responder no Whatsapp: a pessoa sabe que você viu e escolheu não dar uma devolutiva.

  • Perder a oportunidade de deixar uma marca

Muitas vezes, aquele cara que entra dando cotoveladas para trocar cartão é o que esquece a oportunidade de deixar uma marca. De certa forma, o empreendedor precisa desenvolver uma simpatia genuína no relacionamento com os outros. De um jeito natural, o que mais cria conexão é o brilho no olho.

Encante as pessoas falando da sua empresa, essa é a energia que você precisa transmitir.

Comece perguntando aos amigos mais próximos qual é a primeira impressão que você deixa, baseado nas experiências deles. Com esse diagnóstico, identifique como você pode melhorar a postura, a fala ou a sua introdução para gerar um sentimento positivo em quem te escuta. Invista também na construção de um pitch sobre a sua empresa que seja rápido, claro e interessante.

A fala certeira, rápida e que mexe com as pessoas deixa uma marca muito maior do que qualquer cartão envernizado.

  • Falar mais do que ouvir

Quando você tem nas mãos poucos minutos em um evento, no elevador ou no corredor, é natural que você queira se apresentar, falar de sua empresa e de seu produto. Porém, cuidado para que a conversa não se torne um monólogo. Faça perguntas relevantes, demonstre o interesse nas respostas e conecte-se de verdade com a fala, a postura e o jeito da outra pessoa.

A ansiedade pode fazer com que você perca a oportunidade de ouvir, já que você pode ficar ocupado demais pensando sobre o que dizer a seguir.

No momento em que você se conecta com o que o outro diz, consegue entender melhor seu jeito de ser e sua personalidade — mais direto ao ponto ou idealista, tímido ou expansivo, por exemplo. Dessa forma, pode adaptar sua própria fala a esse estilo, diminuindo ou aumentando a velocidade da sua fala, cortando ou estendendo o assunto e direcionando a conversa para atingir seu objetivo, seja a troca de cartão, um café marcado ou um convite.

Cada empreendedor, com o exercício e a repetição, vai criando seus rituais e hábitos de conexão com a rede, muito próprios da sua personalidade. Seja qual for a sua marca, garanta apenas que, sempre que alguém se lembrar de você, tenha algo de bom para contar.

Fonte: https://goo.gl/EgSbHg