Nem sempre acertamos e isso é fato, natural de nossa condição e necessário inclusive para amadurecermos e evoluirmos. E eu errei muitas vezes enquanto fui funcionária de empresas que não eram minhas, quando eu era funcionária.

Eu posso me lembrar como se fosse hoje a frustração que sentia quando me pegava por horas e horas olhando para minha caixa de emails, esperando que algo novo chegasse. Em certa época, minha função gerencial me trazia alguns momentos de baixa demanda e às vezes realmente não tinha muito o que fazer. Ao menos era o que eu pensava naquela época.

Era desgastante olhar para o relógio e perceber ele lento a passar, porque aquelas tardes estavam pacatas. Em horário de trabalho não seria possível ou de bom tom acessar coisas pessoais e tudo que me restava era esperar que as 18h chegasse. Tudo isso acontecia porque eu não havia aprendido ainda que podia e devia me tornar CEO de minha própria vida, pessoal e profissional.

Eu tinha planos de empreender e para isso comecei fazendo trabalhos em horários alternativos, vivendo uma jornada dupla. Quando as demandas cresceram o suficiente, precisei escolher um caminho e decidi pedir demissão para empreender. Foi exatamente aí que eu comecei a entender que para que as coisas dessem certo eu precisaria tomar as rédeas de verdade. Se eu não fizesse acontecer, não havia ninguém a quem eu pudesse culpar (como fazemos tantas vezes, erroneamente). Se eu não respondesse o e-mail, entregasse o projeto, cumprisse o prazo, eu geraria uma situação chata ou não receberia pelo trabalho.

Empreender me trouxe a visão de que eu precisaria ser muito organizada e conseguir me auto-motivar todos os dias. Eu já não teria mais chance de me auto-enganar, de esperar o outro, de culpar o e-mail que não chegou.

Quantas vezes não empurramos com a barriga nossos trabalhos quando se trata de uma empresa de terceiros? Procrastinamos, fingimos estar trabalhando, enrolamos no cafézinho, deixamos emails sem respostas e até temos preguiça em levantar da cadeira e ir resolver pessoalmente – e mais rápido, aquela questão?

Eu hoje consigo ver que não importa meu cargo, eu posso fazer o melhor sempre que puder. Nas empresas, ficamos muito presos à descrição no nosso crachá. Quantas vezes se perde a oportunidade de atender bem a um cliente “porque não era minha função, era da recepcionista, que não estava na mesa no momento”?

Um dos meus primeiros empreendimentos foi levando turmas de cursos de marketing para várias cidades. Minha função era ser a professora do curso. Mas era um negócio meu, não havia como não me envolver além disso. Cuidei pessoalmente até do coffee break e em uma das situações, quando não encontrei um bom serviço na cidade, eu mesma fui comprar os itens no mercado e montei a mesa no intervalo para os alunos. Era pouco produtivo? Eu poderia delegar? Sim, poderia, deveria. Mas aquele contexto exigia e eu não permitiria, de modo algum, que a experiência do aluno fosse ruim. Não existiam nomes de cargos naquele momento.

Durante muito tempo, enquanto funcionária, fui apegada ao nome do meu cargo. Hoje estou à frente de vários negócios e quer saber? Não me preocupo mais em ficar contando por aí o que sou, levando o nome do cargo antes do meu. Tudo que me importa é poder fazer algo acontecer, estar perto do que considero felicidade para mim. Eu não preciso ter um cargo de CEO para isso, eu posso me tornar CEO de tudo ao meu redor, de tudo que se referir à minha vida pessoal e profissional. Eu posso resolver, ter boa vontade, encontrar um jeitinho, não deixar alguém sem alternativa.

Podemos empreender mesmo não tendo uma empresa própria, nossa. Podemos intraempreender. Como? Buscando caminhos para a inovação, revendo processos, se perguntando se aquilo precisa mesmo ser feito daquele jeito, nos importando com pessoas ao nosso redor, colaborando, não guerreando ou competindo. Podemos ser CEOs e não precisamos receber esse cargo de ninguém. Basta se apropriar dele, fazer acontecer 😉

Fonte: Flavia Gamonar